A Indústria de Resseguros da Nova Zelândia sente os Abalos Secundários dos Terremotos

Christchurch, NZ, Earthquake

Destruição causada pelo terremoto de 6.3 em Christchurch, Nova Zelândia, em 22 de fevereiro de 2011.

Hoje é  ‘Waitangi Day’ na Nova Zelândia; é o meio do verão, e muitos neozelandeses vão pegar seustrajes,” calçar suas “jandals”, e com um pouco de “slip, slop, slap and wrap” vão se preparar para aproveitar o feriado na praia com a família ou amigos…

Waitangi Day é o principal feriado nacional da Nova Zelândia, e comemora a assinatura do Tratado de Waitangi, quando os primeiros imigrantes da Polinésia, conhecidos como Maoris, e os britânicos, assinaram o documento de fundação da Nova Zelândia, em 1840.

Os neozelandeses esperam ansiosos por um feriado depois de um ano tumultuado, cheio de altos e baixos, desde a vitória dos All Blacks na Copa Mundial de Rugby até o devastador terremoto de magnitude 6.3 que abalou a cidade de Christchurch em fevereiro de 2011.

O terremoto, junto com o abalo anterior, em Setembro de 2010, não só teve um grande impacto na sociedade mudando o cenário da cidade, mas também mudou o jogo no mercado local de seguros e resseguros. Antes de entrar no impacto do terremoto na nossa indústria, vale à pena examinar como o mercado de seguros da Nova Zelândia funciona.

O Singular Mercado de Seguros da Nova Zelândia

Se chamamos nossas casas de praia de “baches” ou “cribs” e nossas sandálias de “jandals”, pode-se presumir que temos alguns aspectos que são únicos em nosso mercado de seguros, não é? Com certeza. O aspecto mais marcante do nosso mercado é que todo dano pessoal é compensado, numa base “sem culpa”, por uma agência governamental chamada Accident Compensation Corporation (ACC).

Reclamações por danos, regidas pela legislação comum, não são permitidas em nenhuma circunstância, se houver compensação pela ACC disponível. Portanto, categorias de responsabilidade tradicionais, como motor de responsabilidade civil perante ferimentos de terceiros e compensação de trabalhadores, não existem no país.

Um exemplo da extensão com que a ACC compensa cidadãos foram as trágicas explosões na Pike River Coal Mine, em 2010, que mataram 29 pessoas. A ACC pagará compensações de cerca de NZD 10 milhões (US$ 7,35 milhões) para as famílias dos homens mortos. Cobertura para edifícios residenciais e seu conteúdo estão disponíveis através da Earthquake Commission. Junto com a ACC, estes dois fundos públicos representam cerca de metade dos prêmios non-life.

O mercado de seguros non-life é dominado por vários grandes seguradores, muitos dos quais têm empresas associadas australianas. Os quatro maiores controlam cerca de três quartos do mercado non-life. Existem aproximadamente 200 corretoras na Nova Zelândia e a Insurance Brokers Association of New Zealand (IBANZ) tem 180 empresas membro, que controlam prêmios anuais da ordem de NZD 2,3 bilhões. As corretoras representam cerca de 85% dos riscos comerciais e 15% dos riscos pessoais.

O Impacto de Terremoto de 2011

O terremoto de Christchurch, no dia 22 de fevereiro, causou consideravelmente mais dano que o terremoto de Christchurch de magnitude 7.1 em setembro de 2010, e causou 182 fatalidades, fazendo dele o terremoto com mais mortes na Nova Zelândia, em 80 anos.

Esse evento devastador e cerca de 8.000 abalos secundários na região de Canterbury desde fevereiro transformaram muito o mercado de seguros na pequena velha NZ. Modelos inadequados de catástrofe deixaram os resseguradores despreparados para um evento dessa magnitude. A cobertura de resseguro está agora mais restritiva e com um preço significativamente maior.

Se por um lado, projetos de reconstrução apresentam oportunidades de crescimento de prêmios de seguros, os programas de construção estão sendo adiados até que o solo se estabilize. Nesse meio tempo, os seguradores que continuam a subscrever riscos de terremoto estão transferindo a maior parte desse aumento do resseguro para os detentores de apólices. Os choques financeiros dos terremotos estão sendo sentidos agora, em janeiro e fevereiro de 2012, pelos proprietários de imóveis residenciais com a chegada pelo correio de contas de seguro, com aumentos médios de até 30%.

Propriedades comerciais e blocos de apartamentos por todo o país foram duramente atingidos; em muitos casos seus prêmios dobraram ou triplicaram e seus excessos aumentaram 10 vezes.

Penetração dos Seguros, e o verdadeiro “game changer”

Willis Re 1st View Report

Leia mais sobre as renovações de 1º de janeiro no Willis Re: 1st View (Janeiro 2012) (em Inglês)

O ressegurador global Swiss Re estima que a indústria de seguros da Nova Zelândia cubra cerca de 80% dos US$ 20 bilhões em perdas econômicas causadas pelos dois terremotos em Christchurch. Esta alta taxa de penetração dos seguros de terremoto fez com que a taxa anual de resseguro de catástrofe de property aumentasse de 80% a 150% para seguradores nas recentes renovações de 1º de janeiro (de acordo com a Willis Re).

Esta parcela da perda econômica total dos terremotos demonstra que a Nova Zelândia tem uma das “maiores taxas de penetração de seguros de terremoto do mundo”, diz a Swiss Re, em um novo relatório, “Lessons from Recent Major Earthquakes.” Mesmo nos mercados de seguro mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, “as coberturas de seguro raramente excedem 50% das perdas econômicas no caso de grandes catástrofes naturais”, diz a Swiss Re.

O relatório da Swiss Re comparou o custo para a indústria de seguros dos terremotos da Nova Zelândia em 2011 com o terremoto e tsunami do Japão, que resultou em uma conta de seguro significativamente menor (só “17% de US$ 120 bilhões”). O que significa que os dois eventos “tiveram praticamente o mesmo impacto na indústria de seguros global”, diz a Swiss Re, apesar de o Japão ter tido perdas econômicas totais seis vezes maiores que a Nova Zelândia.

Mas, talvez, o verdadeiro “game changer” seja o anúncio do regulador dos serviços financeiros do país, o Reserve Bank of New Zealand, do qual os seguradores locais precisarão comprar capital de resseguro para terremotos para um evento “01-em-1000 anos” até 2016, uma mudança considerável em relação ao que era exigido antes, ou seja, um evento “01-em-250 anos”. Some-se a isso a triplicação do earthquake levy (EQC levy) e você terá, por muitos anos, aumentos contínuos nos preços de seguros para os neozelandeses.

Isto, sem dúvida, levará todos a pensar sob uma nova perspectiva nos próximos anos: seguradores, reseguradores, corretores e clientes. As palavras “viabilidade” e “disponibilidade” estarão cada vez mais associadas com os seguros nos próximos anos. E ainda mais assustador, no curto prazo, especialmente para aqueles que estão lutando contra tudo na South Island, quem é que sabe o que está realmente acontecendo debaixo das planícies de Canterbury?

 


Este post foi postado em inglês no dia 6 Fevereiro 2012


Jeremy Andrew

Jeremy Andrew

O blogger convidado Jeremy Andrew é um Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Willis New Zealand, com base em Auckland. Começou sua carreira no Reino Unido, onde obteve sua qualificação ACII, antes de se mudar para a Nova Zelândia. Ele é o responsável por vendas na região de Auckland, e desenvolve oportunidades em todos os setores industriais e econômicos.

Categories: Ásia, Português

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