O Boom do Seguro Petrolífero no Brasil

Em meados de 2006, o Governo “Lula” e a Petrobrás anunciaram o que seria nossa futura auto-suficiência de petróleo. As descobertas de combustíveis fósseis na camada pré-sal foram substancialmente feitas em áreas profundas de oceanos, de difícil acesso. Talvez a preferência por procurar gás e óleo em solo ou em águas rasas, fez com que essa descoberta tardasse a acontecer. A primeira extração tardou dois anos, aconteceu somente em 2008, e –desde então – todos os processos e extrações vêm aumentando gradativamente, então, estamos no caminho certo.

Com todo esse avanço dos últimos anos, o Brasil é apenas o 9º colocado na lista de maiores produtores de petróleo, com cerca de 2,51 milhões de barris diários. Bem atrás dos principais produtores como Rússia, Arábia Saudita e EUA, que chegam a atingir 10,1 milhões de barris diários. De fato o aumento é nítido, quando ainda, em 2009, produzíamos cerca de 2 milhões de barris por dia, aproximadamente 25% a menos do que hoje.

Quem aproveitou a demanda e cresceu junto, foi o mercado de seguro de riscos de petróleo. Na medida em que os investimentos para extração de petróleo e gás aumentam, mais seguradoras, resseguradoras e corretoras entram nesse novo mercado, adaptando-se, inclusive, ao mercado internacional.

O risco da exploração do petróleo é muito grande, podendo acarretar desastres ecológicos, como explosões e vazamento de óleo nos oceanos, e o fato da exploração ocorrer na camada pré-sal, agrava ainda mais estes riscos. Especialistas dizem ainda que a extração de petróleo nessa camada é um dos maiores desafios tecnológicos já enfrentados pelo Brasil e comparam a operação com a exploração espacial. Por isso, as seguradoras e corretoras podem contribuir muito para o desenvolvimento e manutenção das operações nessa área, visto que o segmento necessita cada vez mais de soluções preventivas que reduzam ao máximo os riscos presentes na exploração destes recursos.

Os principais acidentes que estão sujeitos a acontecer durante a exploração do petróleo estão relacionados à invasão do poço por fluidos, que, se chegarem até a superfície podem causar explosões, incêndios e acidentes de grandes proporções.
Em casos de acidentes na plataforma de petróleo a primeira decisão a ser tomada é o fechamento imediato do poço, para isso existe o “blow out preventer”, que são válvulas feitas para o fechamento do poço a qualquer momento. No Brasil, já houve casos em que este equipamento evitou o derramamento de óleo no mar, como por exemplo, a plataforma P-36 que chegou a afundar, mas conseguiu evitar maiores problemas devido ao equipamento de segurança, que estava em boas condições e foi utilizado no momento certo.

Um dos acidentes mais recentes no Brasil envolvendo vazamento de petróleo ocorreu em Campo do Frade, na Bacia de Campos, em novembro de 2011. O acidente ocorreu em um poço de petróleo da empresa Chevron e resultou no vazamento de 3.700 barris de óleo e uma multa de 35 milhões de reais. Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o acidente poderia ter sido evitado se a empresa tivesse cumprido a regulamentação, assim como o seu próprio manual de procedimentos.

Após este incidente, novos casos menores foram constatados com frequência, o que coloca em pauta se estamos realmente preparados enfrentar todos os riscos presentes na exploração destes recursos.

A tendência é que a produção de óleo continue a crescer, assim como a demanda. No entanto, o desafio é saber como aumentar a produção e, em contrapartida, diminuir as chances de risco e impactos ambientais.

O seguro de riscos de petróleo

Depois do desastre com petrolífera britânica BP, no Golfo do México, em 2010, o mercado de seguros ficou ainda mais abrangente para o setor. Para se ter uma dimensão, o seguro de riscos de petróleo hoje é tão minucioso, que garante cobertura para os danos materiais causados à torres, plataformas, navios, sondas e seus equipamentos decorrentes dos riscos envolvidos em sua operação, seja de prospecção, perfuração e/ou produção, tanto de óleo quanto de gás, em terra (onshore) ou no mar (offshore).

O seguro garante também danos decorrentes de construção, assim como reparo ou manutenção dos bens, por exemplo. Responsabilidade civil por danos causados à terceiros, decorrentes das operações e perda de receita, também podem ser abrangidas na apólice.

Atualmente a Susep (Superintendência de Seguros Privados), coloca em questão uma nova norma para a operação de seguros no ramo de riscos de petróleo no Brasil. Esta norma ainda está em consulta pública e busca cobrir tudo que envolve a atividade do setor, desde a exploração dos recursos até a produção final, incluindo atividades de prospecção, exploração, produção, deslocamento, transporte e armazenamento de petróleo e gás natural, englobando equipamentos e instalações fixas ou móveis. As atividades de manutenção, conservação, projeto, construção de unidades produtoras e dutovias também cobertas pelo seguro.

A norma anterior, de 1987, era focada em seguros para casos marítimos, mas diante do desenvolvimento da indústria de óleo e gás, a Susep acredita que é preciso se adequar as normas de acordo com dinâmica desta atividade, atendendo todos os riscos que envolvem este processo.

 


 

 

Christiane Silva Gonçalves

Christiane Silva Gonçalves, Business Unit Manager, Willis Brazil, o seguro de riscos de petróleo

 

 

 

Categories: América Latina, Energia & Utilidades, Português

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