Acidentes, Doenças e Saúde Ocupacional: Impactos nas Companhias Brasileiras

Acidentes de trabalho

Recentemente foi divulgada, no Portal Terra, uma matéria publicada pela revista Time Magazine que listou os piores acidentes de trabalho, em 2013. O maior deles ocorreu em Bangladesh, onde o desabamento de um complexo industrial matou 1.127 pessoas. O complexo industrial de oito andares, Rana Plaza, desabou e, segundo a revista, pelo menos 3,5 mil trabalhadores estavam dentro do edifício, que, na época, abrigava cinco fábricas de roupas.

Esses são apenas dois dos exemplos relacionados a acidentes de trabalho. Mas, além de acidentes propriamente ditos, um estudo divulgado, em abril deste ano, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), revelou que mais de 2 milhões de pessoas morrem por ano, no mundo, em consequência de doenças relacionadas ao trabalho. De acordo com o estudo, 321 mil pessoas morrem vítimas de acidentes de trabalho, o que resulta em 317 milhões de acidentes laborais não mortais a cada ano, ou seja, a cada 15 segundos um trabalhador morre devido a acidentes ou doenças relacionadas com o trabalho, e  115 trabalhadores sofrem um acidente laboral.

Entre os principais problemas estão: doenças pulmonares causadas pela inalação de partículas de silício, carbono e amianto. Segundo o estudo, na China, esta enfermidade corresponde a 80% dos casos. Na índia, cerca de 10 milhões de pessoas que trabalham em minas apresentaram problemas por inalação de silício. Especificamente no Brasil, o estudo aponta que 6,6 milhões de trabalhadores estão expostos a estas substâncias tóxicas. O estudo aponta ainda que os transtornos musculoesqueléticos e mentais (TME) atingem principalmente os trabalhadores da Europa.

Saúde Ocupacional

SESMT é a sigla para Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, trata-se de uma equipe de profissionais da saúde, engenheiros e técnicos de segurança, inseridos nas empresas para proteger a integridade física dos trabalhadores.

A composição do SESMT varia em razão da quantidade de empregados e da natureza das atividades.

A atribuição principal do SESMT é a preservação da saúde do trabalhador, através da identificação de fatores de risco no ambiente de trabalho, bem como orientar o empregador sobre a adoção de medidas de eliminação e/ ou mitigação dos riscos. Assim como disseminar informações quanto a práticas de ações preventivas e acompanhamento periódico dos funcionários vulneráveis, no sentido de detectar precocemente qualquer alteração da saúde.

Mas, até que ponto o Seguro Saúde pode impulsionar a importância da Saúde Ocupacional nas corporações brasileiras?

Os crescentes custos com planos de saúde têm preocupado as organizações que oferecem este benefício aos seus funcionários.

Atualmente, observamos que as cirurgias ortopédicas ligamentares e traumáticas aparecem como principal ofensor no sinistro dos planos de saúde, principalmente, em titulares, onde podemos fazer a correlação indireta da presença de fatores de riscos existentes no trabalho.

Uma análise detalhada da população e perfil de utilização pode nos sinalizar que fatores de risco ocupacional podem ser responsáveis pelo impacto de sinistro e reforçar a necessidade de avaliação da presença de fatores de risco no ambiente de trabalho, além de respaldar a implantação de medidas corretivas, principalmente quando elas dependem de investimento ou mudanças nos processos de trabalho.

Abaixo, uma ilustração apresenta os maiores “gastadores” por especialidade de uma determinada empresa, no período de agosto de 2011 a julho de 2012, onde a especialidade de ortopedia ocupa o primeiro lugar do ranking de impacto de sinistro, sendo 88% das cirurgias ortopédicas  realizadas em titulares (funcionários), e 32% delas no ombro.

 

Fonte Willis

Fonte Willis

 

Além do impacto dos custos com seguro saúde e vida, queda na produtividade, problemas de imagem no mercado, entre outros pontos, as doenças que geram afastamentos previdenciários, em razão do nexo técnico epidemiológico (metodologia utilizada para identificar quais doenças e acidentes estão relacionados à atividade profissional), podem ser consideradas como doenças ocupacionais, gerando agravo do seguro de acidente de trabalho, o que incide diretamente na folha de pagamento das empresas contratantes.

Diante de tantos riscos, como as empresas estão lidando com a questão Saúde ocupacional?

Grande parte das empresas ainda se preocupa somente em cumprir a legislação trabalhista referente à saúde e segurança do trabalho. Outras, além disso, implantam programas de saúde preventivos, porém, desassociados as ações de saúde e segurança. Poucas possuem a visão do todo e efetuam gestão integrada de saúde ocupacional, assistencial e programas de promoção da saúde e qualidade de vida, com acompanhamento de indicadores de saúde e indicadores financeiros referentes aos gastos com seguro de vida e seguro saúde.

É papel da consultoria  identificar e analisar fatores de risco populacionais,  ocupacionais, assistenciais e previdenciários ,  propor medidas de gestão integrada de saúde que  contribuam com a melhoria do perfil de saúde  e redução ou eliminação dos risco existentes,  os quais  refletirão na redução dos  gastos diretos (seguro saúde, seguro vida, fator acidentário previdenciário, absenteísmo), gastos indiretos (produtividade, imagem da empresa), dentre  outros.

 

Fonte Willis

Fonte Willis

 


Walderez Fogarolli

Walderez Fogarolli

Walderez é Diretora da área de promoção da saúde da Willis Corretores de Seguros. Formada em medicina, com especialização em clínica médica e pós-graduação em medicina ocupacional e gestão de planos de saúde. Possui MBA em gestão empresarial e larga experiência em gestão de saúde corporativa. Em operadora de saúde, atuou também com medicina preventiva na gestão de departamento.

 

Categories: Benefícios > Capital Humano & Benefícios, Português, Saúde & Vida | Tags: , , ,

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