Investir não é mais só assunto “de homem”

Mulher-investidora

Que as mulheres hoje ocupam cada vez mais espaço no mercado de trabalho, todos concordam, inclusive em muitas profissões onde a predominância era essencialmente masculina, elas estão inseridas. O que muitos não sabem é que essas empreendedoras colaboram diretamente com a mudança de alguns paradigmas, como os tabus e questionamentos de longa data relacionados à “competência” feminina.

Uma das mudanças mais impactantes está na participação feminina no mercado de investimentos. Os homens tradicionalmente controlavam o dinheiro das famílias, por isso, tinham mais familiaridade com investimentos, porém o papel da mulher na sociedade mudou e, o que parecia ser de interesse do sexo masculino, começou a ficar mais presente nas vidas das mulheres.

Este novo player no mundo investidor possui características mais conservadoras em relação a investimentos que representem riscos. Dados da BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa de Mercadorias & Futuros) mostram que a participação feminina subiu de 15 mil para 136 mil durante o período de 2002 a 2010, representando uma elevação de 805%. Em consequência disso, houve também um aumento pela procura de informações sobre o assunto.

Mulheres estão cada vez mais presentes na previdência privada 

Se buscarmos dados específicos sobre investimentos de longo prazo, é nítida a mudança de comportamento em relação aos planos de previdência privada. Os números são impressionantes: Em 2011, a participação das investidoras nos planos de previdência chegou a 580 mil. Já em 2013, de acordo com a FenaPrevi, o número ultrapassava os 5 milhões, quase metade dos 12 milhões de planos existentes no Brasil.

Em quatro anos, as mulheres dobraram sua reserva em previdência privada, saindo de cerca de R$ 770 milhões, em 2009, para quase R$ 1,5 bilhão em 2012. Isso acabou gerando a expectativa de um novo mercado no futuro, voltado, especialmente para essa nova investidora.

O crescimento da participação feminina nos investimentos em previdência privada deve-se principalmente ao fato de que elas são mais sensíveis às questões de poupança de longo prazo. De uma forma geral, vemos as mulheres mais preocupadas com essas questões. O que ocorre é que os homens costumam ser mais arrojados e preferem resultados financeiros de curto prazo, já as mulheres, em sua maioria, pensam mais no futuro e são mais conservadoras em seus investimentos. Além disso, as mulheres contratam produtos para os filhos e também têm convencido os cônjuges a terem um plano de previdência privada.

A diferença salarial faz com que os homens façam aplicações maiores do que as mulheres, mas esse não é o único motivo que leva o público feminino a preferir investimentos de longo prazo.

Hoje sabemos que existem quatro grandes questões que fazem com que a mulher prefira produtos financeiros de longo prazo, como os VGBLs ou PGBLs.

  • Biológica: mulheres, em média, vivem quase oito anos a mais que os homens;
  • Econômica: as mulheres, na atual conjuntura, ainda ganham menos do que os homens. Segundo o IBGE, a diferença pode chegar a até 58% quando são analisadas as pessoas com mais de 11 anos de estudo. Cultural: cuidados com as crianças e os idosos recaem geralmente sobre as mulheres, fazendo com elas se preocupem mais com o planejamento de longo prazo;
  • Falta de Tempo: as mulheres possuem múltiplas e intensas jornadas, incluindo trabalho, casa, filhos, educação, compras da família. Diante disso, atrativos como facilidades de administração e pagamento (com boletos, internet, celular) oferecidos nos investimentos de longo prazo, fazem com que elas acabem optando por ele.

A evolução natural do mercado é que haja planos exclusivamente para homens ou mulheres, com características que levem em consideração o perfil de ambos. Hoje, o público feminino já representa quase 60% da carteira de clientes de algumas seguradoras.

Sim, as mulheres chegaram para ficar e é melhor que o mercado esteja cada vez mais preparado para atendê-las.

 


Guest blogger Christianne Baquette

Christianne Baquette

Nossa bloggueira convidada é Christianne Baquette, diretora de  Vida e Previdência na Willis Brasil. Com 15 anos de experiência, Christianne é formada em Administração de Empresas e Pós-Graduada em Gestão Empresarial pela FGV. Com histórico profissional em empresas como Icatu Seguros, Unibanco AIG e Itaú Seguro e Previdência, esta especialista tem ampla experiência no mercado de Benefícios Corporativos.

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