O seguro de transporte aliado ao Gerenciamento de Risco, gasto ou investimento?

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Com um dos maiores mercados consumidores do mundo, o Brasil de hoje passa por altos e baixos que vão desde desaceleração econômica até incertezas do mercado investidor. Falar sobre a situação do país é material para muitos posts, então hoje teremos como ponto focal o mercado de transportes, mais especificamente o rodoviário e o gerenciamento de risco.

Recentemente, no Fórum Econômico Mundial, o Brasil foi divulgado como o 56º no ranking de países competitivos economicamente. Esta posição foi diretamente influenciada por indicadores macroeconômicos, de infraestrutura em geral, de eficiência governamental, de corrupção, etc. É ai que nos deparamos com um dos principais desafios: eliminar os empecilhos no setor de infraestruturas (114º lugar no ranking mundial) que acabam limitando esta competividade. Atualmente apresentamos certa urgência para recuperar o crescimento econômico perdido no último ano (2013), a fim de conseguir um novo up de investimento, principalmente internacional.

Nas últimas décadas o modelo rodoviário tem representado mais de 65% do volume de cargas transportadas no país, porém, é de conhecimento geral que a malha rodoviária brasileira não se enquadra nos padrões internacionais. Sem contar que, apenas 12% das rodovias brasileiras são pavimentadas, conforme último relatório da Confederação Nacional do Transporte. Esses fatores acabam aumentando e muito a quantidade de sinistros reportados, principalmente em acidentes e roubo de cargas.

indicadores de transportes

E o seguro? Como fica?

Quando descrevemos o cenário brasileiro de transportes rodoviários, percebemos que a situação necessita de alguns cuidados. O mercado segurador continua crescente e extremamente competitivo, tanto para Seguradoras, quanto para as Corretoras. Com o aumento da sinistralidade na carteira de seguro de transporte, que passou de 55,3% em 2012 para 62,6% no ano passado, segundo um estudo realizado pela SincorSP, somente no estado de São Paulo foram registrados mais de 1.800 casos de roubo de cargas. Diante disso, um dos cuidados que precisamos ter é em relação ao preço das apólices, para, desta forma, evitar prejuízos. E os clientes? É responsabilidade do corretor de seguros buscar, de maneira clara e transparente, a compreensão dos clientes quanto a agravação de seus prêmios.

Percebeu-se que, até em seguimentos que apresentam melhores resultados (sem muitos históricos de perdas), houve aumento de sinistros. E os principais motivos? Deficiência de estrutura, baixa oferta de transportes e pouca integração logística.

No contexto brasileiro, não são identificadas sazonalidades nos sinistros durante o ano, é possível perceber apenas picos no final dos meses. Porém, este fato acaba diretamente ligado a um aumento de movimentação de cargas durante este período, já que, devido à situação atual da malha rodoviária, as viagens nem sempre ocorrem da forma planejada e dentro do ideal, com as medidas de segurança adequadas.

Analisar para se proteger

É nessa hora que entra o Gerenciamento de Risco (GR), que é cada vez mais de interesse dos clientes. Uma boa gestão de risco não tem como intuito “diminuir” o valor do seguro, até porque, o mercado segurador está em constante crescimento e desenvolvimento, oferecendo produtos e serviços que são, cada vez mais, requisitados e de grande necessidade dos clientes. Mas a gestão dos riscos entra para somar, oferecendo uma análise detalhada e mitigando riscos que possam gerar grandes perdas aos segurados, perdas estas que podem ser maiores que o investimento realizado na contratação de um bom gerenciamento de risco.  Por isso o GR deve ser visto como um investimento necessário para evitar perdas, e não um gasto.

A palavra chave para um bom gerenciamento é IMPARCIALIDADE. Imparcialidade do corretor significa atuar de forma consultiva, com foco exclusivo no cliente. É cada vez mais evidente que o Seguro de Transporte deve estar mais atrelado ao GR e isso propicia uma melhor solução na colocação destas apólices.

Cabe ao cliente um único papel e responsabilidade: estar comprometido em entender os principais problemas de sua operação e disposto a buscar as melhorias. Sempre apoiado no trabalho consultivo e independente do seu corretor, pois, do contrário, o custo do seguro pode sofrer impactos.


 

Eduardo Michelin

Eduardo Michelin

Formado em Administração de Empresas com pós-graduação em Comércio Exterior. Possui mais de 15 anos de experiência no mercado de seguros Nacional e Internacional, tendo atuado também em uma das maiores Seguradoras Brasileira durante quase 3 anos. Atualmente responde pelo departamento de Transporte e Logística e é associado da Willis desde 2001.

 

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