Seguro de ‘cyber risks’ tende a crescer com regulamentação do ‘mundo virtual’

Enfim, o Marco Civil da Internet foi aprovado pela Câmara dos Deputados em Brasília. Após quase três anos de debates entre o poder público, entidades e a sociedade civil, o projeto de lei que estabelece princípios, direitos e deveres para usuários e desenvolvedores da rede virtual no Brasil está formatada e à espera de votação no Senado Federal.
Nele se apoiarão projetos e leis futuras referentes ao ambiente digital, tendo como princípios básicos a liberdade de expressão, a proteção da privacidade e dos dados pessoais dos usuários e o estabelecimento da neutralidade da rede, definindo autores e suas responsabilidades no mundo virtual.

Ainda falta um sinuoso caminho a ser percorrido para a vigência da “Constituição da Internet”, como está sendo chamada, mas a aprovação feita pelos deputados já geram uma nova perspectiva, inclusive para o mercado segurador, no que se refere aos riscos cibernéticos. Se o texto aprovado pela Câmara for mantido e aprovado pelo Senado, as atenções serão voltadas para um novo cenário – o que antes era considerado terra de ninguém, terá agora seus direitos e deveres melhor definidos.

Para crescer, o céu é o limite

Segundo estudo divulgado recentemente pela Economist Intelligence Unit (EIU), 38% de todas as empresas entrevistadas que sofreram algum tipo de acidente virtual nos últimos anos admitiram não ter ainda um plano eficiente para responder à ataques virtuais de maneira eficaz. Somente 17% das companhias participantes da pesquisa se dizem preparadas para enfrentar o ‘cibercrime’.

Casos como o vazamento de informações que causou uma crise complicada entre a Petrobras e o governo americano são cada vez mais comuns. Em um mundo globalizado e dependente da tecnologia, ninguém está imune a ataques, que podem impactar diretamente os clientes e o operacional das empresas. Apesar do setor empresarial no exterior estar mais acostumado a essas ocorrências, a regulamentação do Marco Civil no Brasil irá contribuir para alavancar os negócios do setor de seguros de ‘cyber risks’.

O risco causado pela exposição de dados e informações das empresas hoje em dia é determinante para fomentar esse tipo de seguro. As apólices não são apenas de responsabilidade civil, e sim de cobertura tanto de danos a terceiros quanto para o tomador do seguro. No caso de situações de suspeitas de invasões, podem ser utilizados os serviços de empresas especializadas em realizar varreduras em sistema operacionais sem custo adicional, justamente com o objetivo de evitar sinistros no futuro.

O segmento de ‘cyber risks’ ainda não está sedimentado por aqui, ao contrário do que acontece em mercados socioeconômicos americanos e europeus, que dependem de plataformas seguras de armazenamento de dados e informações eletrônicas, como hospitais, empresas aéreas e grupos de e-commerce, por exemplo.

Apesar de a nossa cultura ser um pouco diferente em relação aos países desenvolvidos, nós temos grande potencial de desenvolvimento. Desde o caso Snowden, as empresas já estão mais cautelosas, passaram a analisar a contratação de forma mais contundente. Sem dúvida, é um trabalho de formiguinha. Mas, se for aprovada uma lei, já vigente nos EUA e na Europa, que obrigue as empresas a notificar os clientes em caso de vazamento de dados, ela tornará mandatória. Ou seja, a contratação do seguro vai ser fundamental para as empresas arcarem com os custos.

Atualmente as empresas brasileiras já demonstram interesse e preocupação em relação ao assunto, principalmente por conta do Marco Civil, que considero um dos três aspectos fundamentais para o crescimento do mercado de seguros de ‘cyber risks’, assim como as determinações da FIFA em relação às empresas patrocinadoras, e também a mídia que está ajudando muito a difundir o “produto” no mercado, com uma ampla cobertura de notícias do setor.

 


Marcelo.Pollak

Marcelo Pollak é graduado em Administração de Empresas e trabalha no ramo de seguros há 7 anos, iniciou sua carreira em uma corretora de grande porte e trabalha na Willis desde 2010. Esteve sempre focado em linhas financeiras, tais como D&O, E&O, Crime, EPL, FIPI, Cyber, entre outros.

 

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