Gestão da saúde no ambiente corporativo coloca empresas na batalha contra o HIV

Pequenas, porém importantes, as ações são necessárias para prevenção da doença e o papel das organizações é fundamental

 Segundo o Ministério da Saúde, entre 2009 e 2013, cerca de  39 mil brasileiros contraíram o vírus por ano. Apesar disso, a AIDS ainda é um  tabu, tanto na área de saúde, quanto nas empresas – não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

Enquanto muitas pessoas ainda têm preconceitos e dúvidas, outras enxergam a doença como banalizada, já que atualmente existe o coquetel de tratamento oferecido gratuitamente pelo Sistema Público de Saúde – SUS.

No último mês de março, uma reportagem do programa Fantástico (TV Globo) trouxe à tona um crime assustador relacionado à doença no país: grupos que transmitem o vírus de propósito, o “Clube do carimbo” – que também foi publicada em outros veículos, como no jornal O Estado de S. Paulo. A prática era desconhecida até então por médicos e, inclusive, por homossexuais e assusta em diversos aspectos: um comportamento humano cruel sugerindo até uma psicopatia latente, o que nos evidencia um problema social com grande exposição ao risco e a leitura equivocada de que “dessa doença não morro porque tomo o coquetel”.

Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente o coquetel anti-Aids para todos que necessitam do tratamento. Diferente do que pode imaginar a população, o tratamento é complexo, necessita de acompanhamento médico para avaliar as adaptações em cada organismo, seus efeitos colaterais, e as possíveis dificuldades em seguir corretamente as recomendações médicas. Por isso, é extremamente importante e recomendável que todos os indivíduos saibam dos riscos e desafios para combater e conviver com a doença.

A falta de informação e a exposição ao risco ainda são fatores para que esse contágio ocorra. Além de campanhas massificadas do Governo na mídia, as empresas do Brasil podem ajudar com palestras e educação em saúde no ambiente corporativo, como já acontece em outros países.

 Efeitos colaterais

 Como os medicamentos precisam ser muito fortes para impedir a multiplicação do vírus no organismo, os coquetéis podem causar alguns efeitos colaterais desagradáveis. Entre os mais frequentes estão: diarreia, vômitos, náuseas, manchas avermelhadas pelo corpo, agitação, insônia e sonhos vívidos.

Os pacientes infectados podem sofrer com alterações que ocorrem em longo prazo, resultantes da ação do HIV (infecções oportunistas), somados aos efeitos tóxicos provocados pelos medicamentos. Os coquetéis anti-Aids podem causar danos aos rins, fígado, ossos, estômago e intestino, neuropsiquiátricos. Além disso, podem modificar o metabolismo, provocando lipodistrofia (mudança na distribuição de gordura pelo corpo), diabetes, entre outras complicações.

Formas de contágio

Como o vírus HIV está presente no sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno, a doença pode ser transmitida de várias formas, como: sexo sem camisinha; uso da mesma seringa ou agulha compartilhada; transfusão de sangue; instrumentos não esterilizados, de mães infectadas para os bebês durante a gestação, partos ou amamentação.

Um diagnóstico feito de forma precoce, e a desmistificação podem ajudar a desconstruir o preconceito para que as pessoas portadoras do vírus vivam da melhor forma possível em qualquer ambiente – pessoal ou corporativo.

Não pega AIDS:

AIDS não pega

 

Ações contínuas

O Dia Mundial da Luta contra a AIDS acontece no dia 1º de dezembro e foi decretado em 1987, por meio de uma decisão da Assembleia Mundial de Saúde, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). A data reforça a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/AIDS, mas não precisamos esperar pela data para falar da doença, riscos, cuidados e desmistificar efeitos colaterais e formas de contágio.

Até 2013, o Brasil era considerado líder no tratamento a pacientes soropositivos e – com isso –a expectativa de vida nacional segue aumentando no que diz respeito ao tema. Em breve, devemos ter vacinas contra HIV – que há alguns anos começaram a ser testadas. Mas, independente de vacinas ou coquetéis (vários comprimidos), profissionais de saúde, empresas e indivíduos precisam se unir nessa batalha contra o HIV.

Um levantamento feito no Brasil mostrou que 68% das empresas pesquisadas consideravam que o tema doenças sexualmente transmissíveis -DSTs e AIDS deviam ser discutidos no local de trabalho, porém, em apenas 14% havia de fato ações e programas sobre essas doenças nos últimos 12 meses. Os dados foram coletados pelo Conselho Empresarial Nacional para a Prevenção ao HIV/AIDS (CENAids), em parceria com o Ministério da Saúde e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids).

Na Willis, como médico, faço parte da área de Gestão da Saúde e junto com os departamentos de Recursos Humanos e Comunicação das empresas clientes trabalhamos os riscos e mitos relacionados ao HIV não apenas em datas específicas como nas Semanas da SIPAT (Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho), mas também com a realização de bate papos, palestras, campanhas, materiais de divulgação e com uma biblioteca de artigos sobre o tema à disposição dos colaboradores.

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Essas estratégias educativas devem ser contínuas nas organizações e auxiliam tanto na conscientização, quanto na prevenção da doença e diagnóstico precoce.

 


Venceslau Coelho

Venceslau Coelho

Dr. Venceslau Antonio Coelho, especialista em Geriatria e Clínica Médica, e médico-consultor da Willis Brasil.

Categories: Benefícios > Capital Humano & Benefícios, Português, Recursos Humanos, Saúde & Vida | Tags: , , , , , , , , , , , , ,

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