Eternizado na história e na memória da Willis, naufrágio do Titanic completa 103 anos

Imagem fictícia do navio, no filme Titanic (Divulgação/IMDB)

 

Passado mais de um século, o naufrágio do Titanic ainda ocupa o imaginário das pessoas por sua magnitude, legado e mistério, permanecendo também na memória da Willis, corretora do navio na época. O desastre, ocorrido em 15 de abril de 1912, completa 103 anos nesta quarta-feira (15) e suas perdas são consideradas das mais significativas vivenciadas pelo mercado de seguros Lloyd’s. Navegue nesta história:

Luxuoso, o RMS Titanic foi um navio transatlântico operado pela White Star Line e construído nos estaleiros da Harland and Wolff, em Belfast, na Irlanda do Norte. Lançado em 1912, ele era conhecido como o maior navio de passageiros do mundo. Sua viagem de estreia começou em Southampton, na Inglaterra, com destino à Nova York, nos Estados Unidos. O navio chocou-se com um iceberg no Oceano Atlântico e afundou duas horas e quarenta minutos depois. Foram 1513 mortes e 711 sobreviventes.

Coronel J.J. Astor (esquerda) na Estação Waterloo, em 10 de abril de 1912, esperando embarcar no Titanic. Ele morreu na viagem (Reprodução/ Livro Thomas Andrews, Shipbuilder)

Coronel J.J. Astor (esquerda) na Estação Waterloo, em 10 de abril de 1912, esperando embarcar no Titanic. Ele morreu na viagem (Reprodução/ Livro Thomas Andrews, Shipbuilder)

Como a Willis entra nessa história? Em 1912, a Willis Faber atendia uma grande conta marítima e era avaliada como a maior corretora do segmento. Sua reputação remetia a capacidade de lidar com altos valores e de classificar as grandes embarcações que chegavam ao mercado, incluindo os navios Lusitania e Mauretania, da Cunard, em 1907, ambos com um peso de 31 mil toneladas. Com a chegada do Titanic e do navio Olympic, de mesma classe, pesando 46 mil toneladas, a Willis foi a escolha apropriada da companhia White Star Line.

O montante reclamado para o Titanic totalizou £ 16 milhões na época, ou seja, o prejuízo completo do desastre. A Willis ficou responsável apenas pela alegação referente ao casco e maquinaria, no valor de £ 1 milhão (o equivalente a cerca de £ 93 milhões hoje). Apoiada por 80 empresas seguradoras, este valor em especial foi recolhido pela corretora e liquidado na totalidade a White Star Line no prazo de 30 dias após a tragédia.

Com certeza, esse era um risco difícil no mercado segurador e a Willis teve que colocá-lo em outros mercados, fora de Londres, como por exemplo, na Alemanha.

O Titanic partindo em 1912 (Reprodução/Livro Thomas Andrews, Shipbuilder)

O Titanic partindo em 1912 (Reprodução/Livro Thomas Andrews, Shipbuilder)

Trecho extraído do jornal The New York Times em 1912:

“Enquanto o naufrágio do Titanic foi a maior perda total que as seguradoras marítimas jamais enfrentaram antes, como resultado de um único desastre, ao final da semana tinham sido pagas praticamente todas as apólices subscritas”

Sobre Thomas Andrews, construtor do Titanic

Thomas Andrews Jr. foi diretor e chefe de construção naval na empresa Harland and Wolff. Ele foi o projetisa do maior e mais majestoso navio de passageiros de sua época. Andrews era o tio-avô de Nina Higham, esposa de David Higham – que por coincidência –  foi um diretor da Willis Faber.

De acordo com sua biografia, escrita por Shan F. Bullock, na manhã do dia 10 Andrews estava a bordo do Titanic por volta das 6h e se dedicou a fazer as últimas inspeções. Os passageiros embarcaram e, pontualmente, ao meio-dia o navio partiu. Suas últimas palavras para a secretária foram: “lembre-se de manter a senhora Andrews informada de qualquer notícia do navio”.

Thomas Andrews, diretor e chefe de construção naval, projetista do Titanic (Reprodução/ Thomas Andrews, Shipbuilder

Thomas Andrews, diretor e chefe de construção naval, projetista do Titanic (Reprodução/ Thomas Andrews, Shipbuilderl

Em Cherburgo, o Titanic pegou mais alguns passageiros e Andrews escreveu uma carta para sua esposa, onde expressou satisfação no andamento das coisas. Durante os dias em alto mar ele se dedicava a verificar e escrever pequenas imperfeições no navio e calculava ajustes para as próximas viagens. Sobreviventes disseram que em todo o momento ele se manteve calmo e eficiente no comando de diversas situações isoladas, como, por exemplo, na busca por passageiros, e orientando as mulheres a colocarem salva-vidas. Mesmo depois de sua morte no desastre, sua boa reputação como profissional foi mantida.

O sucesso do filme Titanic

O fascínio pela embarcação levou milhões de espectadores aos cinemas em 1997. Com o sucesso do filme – em crítica e bilheteria – o interesse pelo Titanic aumentou e gerou centenas de livros, estudos, debates e novas teorias. Escrito e dirigido por James Cameron e estrelado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, a produção foi indicada a 14 Oscars, vencendo 11 prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

Os atores Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em cena do filme Titanic (Divulgação/IMDB)

Os atores Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em cena do filme Titanic (Divulgação/IMDB)

O romance do casal interpretado pela dupla, no entanto, é fictício. Já o construtor Thomas Andrews foi retratado no filme e, assim como contamos, é um personagem real. No longa-metragem, ele aparece após a colisão tentando convencer outros que há uma “certeza matemática” que o Titanic vai afundar. Durante o naufrágio, ele é retratado perto de um relógio na sala de fumar da primeira classe, lamentando a fatalidade que presenciava.

Erro humano ainda é risco para navios

Transatlânticos palacianos cada vez maiores e rápidos dominam a cena do transporte marítimo no início do século 20. Estes navios, obviamente, aumentaram valores de colocação no mercado de seguros, algo difícil em um passado recente.

O erro humano é um grande risco quando se considera as perdas catastróficas marítimas que, levando em conta os avanços industriais e tecnológicos realizados nos últimos cem anos, é surpreendente. Um exemplo disso é o navio Costa Concordia, que em janeiro de 2012 colidiu contra rochas junto à Isola del Giglio, na Itália.

Os navios de cruzeiro ficaram cada vez maiores. Os últimos navios são produzidos até quatro vezes o tamanho do Titanic. Quanto aos valores,  já se aproximam de US$ 2 bilhões por navio e levam até seis vezes o número de passageiros e tripulantes do Titanic, de 1912.

 

 * Texto com colaboração especial de James Hodge, Diretor de Construção da Willis Brasil. 

Fontes: Lloyds, The New York Times, Livro Thomas Andrews, Shipbuilder de Shan FBullock, blog Willis Wire global

 


Andressa Tufolo

Andressa Tufolo

Andressa Tufolo é jornalista e pós-graduada em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou por mais de 10 anos em veículos de comunicação e atualmente compõe a equipe de Comunicação e Marketing da Willis Brasil.

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Categories: Marine, Português, Resseguros, Saúde & Vida | Tags: , , , , , , , , , , , , ,

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