O fim da picada

Um único mosquito e várias doenças. Dessa vez, o assunto é ainda mais alarmante e pode mudar vidas para sempre. Além de assombrar o Brasil com a Dengue e a febre Chikungunya, o Aedes aegypti foi identificado como transmissor do Zika vírus, responsável pelos casos de microcefalia que aumentam a cada dia no País, principalmente na região Nordeste. O fim da picada esta notícia, não é mesmo? Mas para chegarmos literalmente ao “fim dessa picada” é preciso combater o mosquito transmissor. Entenda o cenário:

Esse quadro é novo no Brasil, o vírus foi identificado pela primeira vez no País este ano e a medicina ainda está estudando sua relação com a microcefalia (quando a criança nasce com o cérebro menor do que o normal). A gravidade é tamanha, que especialistas aconselham o “adiamento da gravidez neste momento”.

Em uma pessoa que não esteja grávida, a doença costuma evoluir de forma benigna, com sintomas como febre, coceira e dores musculares, um quadro menos agressivo do que a Dengue.

Para as futuras mamães, todo cuidado é pouco. A microcefalia não tem cura e prejudica o desenvolvimento da criança. É algo definitivo e delicado, que pode provocar atraso no desenvolvimento motor e neurológico, como por exemplo, conseguir firmar a cabecinha, andar, sentar, dificuldade no aprendizado, entre outros problemas.

O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde (OMS) já confirmaram mais de 1.200 casos até agora, em que a infecção causada por este micro-organismo está mesmo relacionada ao surto de microcefalia.

O Governo Federal lançou o Plano Nacional de Enfrentamento à Microcefalia. Trata-se de uma grande mobilização nacional envolvendo diferentes ministérios e órgãos do governo federal, em parceria com estados e municípios, para conter novos casos de microcefalia relacionados ao vírus Zika.

O plano é dividido em três eixos de ação: Mobilização e Combate ao Mosquito; Atendimento às Pessoas; e Desenvolvimento Tecnológico, Educação e Pesquisa.

Para o “fim dessa picada”, no entanto, todos nós temos de agir. A água parada em qualquer local, pneu velho, vasos de planta, ou resíduo de lixo, reproduz o mosquito.

Picada x transmissão

A transmissão do Zika acontece através da picada do mosquito Aedes aegypti, da mesma maneira que acontece com a dengue. O Zika, no entanto, nunca se propagou em um País tão populoso como o Brasil. Os casos endêmicos estavam concentrados em lugares mais isolados na África e no sudeste da Ásia.

Quando o mosquito pica uma pessoa com Zika, ele passa a transmitir a doença para as próximas pessoas que picar.

No Brasil não há registros, mas em outros países há indícios de que fluidos corporais, como o sêmen, o sangue e o próprio leite materno também possam propagar o vírus.

O que é microcefalia?

A microcefalia é uma má-formação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm.

Quando é detectado que a medida da cabeça do bebê não corresponde à idade gestacional, por meio do ultrassom, começa a investigação da causa. São realizados exames como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, por meio dos quais é possível ver se há alterações inflamatórias, nos tecidos cerebrais ou hemorragias.

Não há tratamento específico para a microcefalia. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança. Como cada criança desenvolve complicações diferentes – entre elas: respiratórias, neurológicas e motoras – o acompanhamento por diferentes especialistas vai depender de suas funções que ficarem comprometidas.

Casos relatados até o momento apontam que as gestantes, cujos bebês desenvolveram a microcefalia, tiveram sintomas do vírus Zika no primeiro trimestre da gravidez. Mas o cuidado para não entrar em contato com o mosquito Aedes aegypti é para todo o período da gestação.

 Como evitar?

Não existem medidas de prevenção específicas, uma vez que não se dispõe de vacina ou drogas antivirais.  Dessa forma, o controle está centrado no controle do vetor, como por exemplo, mantendo o domicílio sempre limpo, eliminando os possíveis criadouros.

As roupas também podem ajudar minimizando a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos. Blusas de manga longa e calças são indicadas. Repelentes também devem ser aplicados na pele exposta ou nas roupas.

A informação é muito importante no combate ao Zika. A Willis, que está atenta ao que acontece no País e no setor da saúde, produziu materiais educativos e de alerta, inclusive em seu programa de acompanhamento as gestantes, de Capital Humano & Benefícios. Elaboramos uma FAQ com as principais dúvidas sobre o Zika, para que vocês compartilhem com seus funcionários – Veja aqui!

 

*Com informações do Ministério da Saúde e Jornal Nacional


Ado Bechelli

Ado Bechelli

Dr. Ado de Castro Bechelli, médico na Willis Brasil, é especialista em Medicina do trabalho, Administração hospitalar e Serviços de Saúde e Auditoria Médica. Com residência em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (USP), ele atua com epidemiologia médica, medicina do trabalho e assistência médica.

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