Envelhecer é natural. Você está preparado?

Elderly Eye

Você já imaginou como será a sua vida na terceira idade? Pode parecer distante, mas parar para pensar e se preparar para este momento será muito valioso. Neste artigo, procuramos percorrer a rotina e desafios desta importante fase da vida, elaborando cenários relacionados ao corpo, mente, e finanças, e também a relação com a família, o mundo moderno e a autonomia.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) define como idosa a pessoa com mais de 60 anos em países em desenvolvimento e com mais de 65 anos em países desenvolvidos. Sendo assim, no Brasil, a política Nacional do Idoso define como idosa a pessoa com 60 anos ou mais.

O aumento da população idosa tem crescido no Brasil e no mundo devido ao aumento da expectativa de vida que ocorre pelo declínio da taxa de natalidade e mortalidade, pela melhoria do saneamento básico, e até mesmo ao importante desenvolvimento das técnicas de saúde e ao avanço da tecnologia.

Mas o que determina que estamos velhos? O processo de envelhecimento se dá durante toda a vida já que estamos constantemente nos transformando. Por isso não podemos caracterizar a velhice exclusivamente como um estado, mas como um processo. Algumas ciências e até mesmo a própria cultura tendem a definir a velhice como um estágio que é determinado pela idade, pelo estado físico e/ou biológico do ser humano, mas envelhecer é acima de tudo um processo absolutamente subjetivo (individual, próprio, relacionado as experiências e ideias de cada um). Não podemos entender envelhecimento como sinônimo de adoecimento, certas mudanças são naturais e esperadas por parte de todas as pessoas.

Envelhecer é algo que pode ocorrer de forma saudável, mas algumas mudanças permeiam o processo de envelhecimento e podem contribuir para o desenvolvimento de doenças, seja de ordem orgânica – como a artrose, surdez – ou psicológica. O corpo biológico sofre inúmeras transformações estéticas, físicas, cognitivas e sexuais. As mudanças nas relações sociais também podem ser afetadas pela morte de amigos, familiares ou até mesmo do cônjuge e pelo afastamento dos amigos de trabalho. Além disso, situações de adoecimento podem causar redução da capacidade funcional, limitações, dependência e, em alguns casos, menor autonomia – o que pode também gerar depressão.

Elaborando cenários: corpo, mente e finanças

Sabemos que o envelhecimento traz mudanças relacionadas à saúde, a condição econômica e social, mas devemos pensar desde já em como gostaríamos de viver esta fase de nossas vidas e nos preparar para que ela seja vivida plenamente e com qualidade. A palavra-chave para um envelhecimento saudável é a prevenção. Sendo assim, desde cedo devemos cuidar da saúde, da alimentação, praticando atividades físicas e nos mantendo o mais ativo possível. Investir nas relações sociais e nas atividades de lazer também é fundamental.

O envelhecimento populacional é um grande ganho da sociedade, mas é também um grande desafio. Para as famílias também surge o desafio de assumir a responsabilidade pelos cuidados que muitas vezes exigem mudanças radicais na rotina e nos recursos financeiros. Sendo assim, também devemos nos preparar financeiramente para a velhice, seja através de uma previdência privada ou de outras formas de investimento, considerando que há uma redução de renda como consequência da aposentadoria.
Pensar em criar uma reserva financeira para o futuro é importante para que a pessoa não se distancie tanto do padrão de vida. Viver intensamente o presente utilizando seus recursos financeiros é algo que pode comprometer o futuro.

O mundo moderno para o idoso

O idoso já foi visto de diferentes formas ao longo do tempo, dentro de cada cultura, sociedade, época, momento histórico e político. Em algumas culturas, desempenhou papéis importantes, respeitados, valorizados e almejados, já em outras, papéis desvalorizados e pouco respeitados. Acompanhar as mudanças que ocorrem no mundo exige adaptação e ajustamento. Alguns idosos vão apresentar maiores dificuldades de enfrentar tais mudanças e isso varia de acordo com a educação, crenças pessoais e valores de cada um.

Quanto mais preparados estiverem para essas mudanças, melhor será a convivência e a inserção social, já que a dificuldade de lidar com as diferenças podem acarretar em isolamento ou exclusão.
Grupos voltados para a terceira idade, hoje, buscam discutir e introduzir os idosos em “novidades”, como por exemplo, a tecnologia.

O investimento na intergeracionalidade (relação entre mais novos e mais velhos, como por exemplo, avós e netos) é outro fator que pode contribuir para que esta adaptação ocorra de forma mais natural e de modo mais fácil.

A relação com a família

Incentivar a independência e autonomia do indivíduo, dar possibilidades de escolhas é fundamental para que ele permaneça ativo e responda por si sempre que possível. Isso tem relação direta com sua qualidade de vida. As famílias devem tomar cuidado com a infantilização e com a tendência de tornar o idoso dependente, desconsiderando seus desejos, vontades e interesses.

O idoso deve avaliar a idade de parar de fazer alguma atividade apenas quando estiver trazendo riscos à sua saúde ou a de terceiros, como no caso de dirigir, por exemplo.

Tempo é feito para ser preenchido

Muitos idosos que possuem tempo livre desconhecem o significado que este tempo disponível tem para suas vidas, ou muitas vezes não sabem como utilizá-lo. Muitos indivíduos permanecem trabalhando. Quando já aposentados podem realizar atividades físicas, artísticas, intelectuais, sociais, dentre outras.

É importante que eles pratiquem atividades que lhes tragam prazer e que tenham significado, que satisfaçam suas necessidades de carinho, afeto, realização, bem estar, autonomia, independência, e autoestima.

Um lugar para viver

Precisamos nos acostumar a pensar em uma sociedade que está se transformando, que está envelhecendo e que vai precisar de mudanças em todos os sentidos. Uma sociedade evoluída onde se compreenda que o indivíduo possa e deva ser beneficiado, seja com vagas em estacionamentos, filas preferenciais, entre outros direitos. Não existe uma receita para envelhecer bem, mas devemos nos desapegar de crenças e pré-julgamentos.

A sociedade está evoluindo e criando melhores condições para as populações na velhice, mas ainda é preciso mais. Para alcançarmos um “lugar ideal para viver”, precisamos pensar que as imensas possibilidades de lazer e consumo com boa qualidade de vida, não são vantagens apenas, e sim conquistas, direitos, dos quais todos nós gostaríamos de utilizar um dia.

 

Colaboração:

Larissa Gherini, psicóloga especialista em Psicologia Hospitalar pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e especialista em Gerontologia pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

Dr. Venceslau Antonio Coelho, especialista em Geriatria e Clínica Médica, e médico-consultor da Willis Towers Watson Brasil.

Categories: Benefícios > Capital Humano & Benefícios, Português, Saúde & Vida | Tags: , , , , , , , , , , , , , ,

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