Álcool no Carnaval alerta sobre o “inimigo socialmente aceito”

Sinal de status e descontração ou fraqueza? O Carnaval está chegando e, além do alerta sobre o uso nocivo do álcool, nos deparamos com a questão da glamourização da bebida neste período. Isso nos chama atenção para o problema de uma forma bem mais ampla. O álcool não é um assunto que preocupa apenas em dias de festa. Ele pode estar presente no dia a dia de muitos, mascarado de uso social, mas na verdade prejudicando e causando dependência silenciosamente.

O consumo de bebidas alcoólicas é estimulado em nossa sociedade e é associado frequentemente a alegria, sucesso, negócios, juventude e sexo. No Brasil, isto faz parte do contexto cultural – a cerveja, vinho e uísque, sendo incorporadas a eventos, reuniões sociais e comemorações.

Não podemos esquecer, no entanto, que o álcool é uma droga e, se consumido em excesso, pode provocar inúmeros problemas de saúde física e psicológica. A sensação de poder, inclusão, socialização e bem-estar proposta por este modelo pode colocar vidas em risco, destruir famílias e vidas profissionais.

Alcoólatra, eu???

Não estamos dizendo que o uso do álcool é proibido, apenas lembrando a importância do fator moderação. Muitas vezes você ou um familiar já está em uma situação de risco e não se reconhece alcoólatra. O que distingue quem bebe socialmente, de quem está passando dos limites e de quem já é alcoólatra?

Vai depender das questões pessoais de predisposição genética, da saúde emocional e ambiente social da pessoa. Algumas perguntas podem ajudar a nortear esta classificação. Abaixo compilamos alguns exemplos. Quer fazer o teste e ter mais informação? Confira o questionário CAGE aqui no site do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool).

  1. Você já tentou diminuir ou cortar a bebida?
  2. Você já ficou incomodado ou irritado com outros porque criticaram seu jeito de beber?
  3. Você já se sentiu culpado por causa do seu jeito de beber?
  4. Você já teve que beber para aliviar os nervos ou reduzir os efeitos de uma ressaca?

Estatísticas sobre o álcool

Muitas drogas ilícitas possuem alto potencial de dependência, mas a que mais preocupa em termos de saúde pública é justamente a mais aceita socialmente: o álcool. Alcoolismo é o termo usado quando o indivíduo que bebe torna-se dependente.

Um relatório feito pela Organização Mundial de Saúde concluiu que a bebida aumenta o risco de desenvolver depressão, ansiedade, cirrose hepática e pancreatite e potencializa as chances de suicídio, acidentes e envolvimento em situações violentas. Ele também está relacionado ao câncer de boca, nariz, laringe, esôfago, cólon, fígado e, nas mulheres, o de mama. Confira estas informações em reportagem divulgada pela BBC.

Últimos dados da Organização Mundial da Saúde (2015):

– No mundo, 3,3 milhões de mortes por ano são resultado do uso nocivo do álcool, isso representando 5,9% de todas as mortes.

– O consumo de álcool causa morte e incapacidade relativamente cedo na vida. Na faixa etária de 20 a 39 anos, aproximadamente 25% do total de mortes são atribuíveis ao álcool.

– Existe uma relação causal entre o uso nocivo do álcool e uma série de distúrbios mentais e comportamentais, e outras condições não transmissíveis, bem como acidentes graves.

– Além das consequências para a saúde, o uso nocivo do álcool provoca prejuízos sociais e econômicos significativos para os indivíduos e para a sociedade em geral.

O álcool está relacionado aos casos de violência doméstica e sexual contra as mulheres. Em 2010, a estatística chegou a 30%. Os acidentes de trânsito também endossam o perigo. De acordo com o Relatório Global sobre Álcool e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), 15% das mortes decorrentes de acidentes de trânsito no mundo foram atribuídas ao álcool em 2012. Estima-se que 18% e 5,2% dos acidentes de trânsito entre homens e mulheres, respectivamente, no Brasil foram causados pelo uso de bebidas alcoólicas.

Os problemas de saúde, segurança e socioeconômicos atribuíveis ao álcool podem ser efetivamente reduzidos e requerem ações sobre os níveis, padrões e contextos do consumo de álcool e os determinantes sociais mais amplos da saúde. Os países têm a responsabilidade de formular, implementar, monitorar e avaliar políticas públicas para reduzir o uso nocivo do álcool.

Já as organizações podem contribuir divulgando informações que alertam, educam e orientam seus colaboradores. A Willis Towers Watson se preocupa e apoia ações voltadas para a saúde e bem-estar.

Algumas atitudes podem ajudar a evitar o alcoolismo e controlar o consumo dentro de casa:

– O primeiro passo para evitar o alcoolismo é manter as bebidas fora da sua casa quando não estiverem servindo a nenhum propósito social imediato

– Não beba quando estiver se sentindo mal, triste ou estressado. Beber é um alívio passageiro

– Desacelere seus goles

– Faça atividades que não envolvam beber álcool

– Comece a fazer exercícios

– Dê o exemplo em casa, evitando o uso indevido (regular e em excesso) de bebidas alcoólicas

– Se tiver filhos, participe da vida deles, principalmente adolescentes, e supervisione.

Por fim é importante lembrar que o álcool destruiu e destrói pessoas e familiares, por eles acharem que têm o controle ou até mesmo para aliviar as tensões do dia a dia, o que é um engano.

Muitas vezes, toleramos que pessoas próximas ou familiares façam abuso do álcool por entender que, naquele momento, não haverá danos maiores. Isso é um grande erro, pois a dependência começa assim. Frequentemente a pessoa que precisa de ajuda está sentada a nossa frente em casa, ou ao nosso lado no trabalho, e não nos sentimos à vontade ou aptos a abordar o assunto. Vamos procurar ajuda, a começar pela informação!

 

Dr. Venceslau Antonio Coelho, especialista em Geriatria e Clínica Médica, e médico-consultor da Willis Towers Watson Brasil.

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