Reforma da previdência: o que muda para as empresas?

O anúncio da proposta do governo para a reforma da Previdência Pública deixou os brasileiros preocupados com o seu futuro e a sua aposentadoria. Mas como ficam as empresas, quais seriam os impactos desta decisão nas organizações?

Com a postergação da idade de aposentadoria é natural se esperar que as pessoas busquem permanecer mais tempo nas organizações de maneira a completar a elegibilidade ao benefício da previdência social. Por isso, vamos entender como a reforma pode interferir na gestão da força de trabalho das empresas.

Esta tendência pode trazer reflexos relevantes no gerenciamento da força de trabalho e na gestão dos custos das empresas em decorrência dos seguintes pontos decorrentes desta possibilidade:

– O planejamento sucessório a empresa precisará ser revisto, de tal maneira a considerar a permanência dos executivos na empresa por mais tempo. Esta situação pode ocasionar a perda de talentos que venham a buscar outras oportunidades no mercado em decorrência da limitação na evolução da carreira dentro da empresa. A retenção destes profissionais pode aumentar os custos da empresa com pacotes de retenção.

– O desligamento de profissionais em idade avançada pode ser mais difíceis pelas empresas e com maiores custos financeiros. O desligamento de profissionais já aposentados é mais simples de ser realizado uma vez que a pessoa já conta com alguma renda da Previdência Social para garantir sua subsistência. Com a postergação da idade de aposentadoria as empresas poderão se defrontar com a necessidade de desligar pessoas que ainda não recebem benefícios do INSS. É possível que a empresa tenha que assumir custos adicionais nestes desligamentos para reduzir os reflexos do impacto social desta medida na organização.

– A permanência de profissionais de maior idade na organização pode impactar os custos de saúde da empresa, é sabido que os gastos médicos tendem a aumentar com o envelhecimento da população.

– Caso a carreira dos profissionais se alongue nas organizações o planejamento de carreira e remuneração também deverá ser revisto de maneira a reequilibrar a evolução salarial dos profissionais e os seus desafios na organização.

Com este cenário, salientamos que a elaboração de programas de aposentadoria alinhados com os objetivos estratégicos da empresa com relação a gestão de sua força de trabalho neste novo contexto pode facilitar muito o processo de oxigenação da organização, reduzir custos de desligamento e mitigar os reflexos dos impactos sociais destes movimentos na organização.

Por Evandro Oliveira, Retirement Leader da Willis Towers Watson Brasil

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