Seguros nos estádios: tudo o que você gostaria de saber sobre as coberturas existentes

A Copa no Brasil acabou, mas o assunto ainda está em alta. Que tal fugirmos um pouco das abordagens convencionais do tema e focarmos nas coberturas de seguro importantes para os estádios sediarem eventos como esse? Esse tema inclui todos os preparativos para a realização de espetáculos, como o que vimos durante esse um mês de Copa, desde as obras para as construções e reformas dos estádios até as coberturas necessárias para garantir a proteção dos atletas e do público em geral.

Não só no Brasil, mas em todo o mundo muitas modalidades de seguro são obrigatórias. Por aqui, se você é frequentador das arenas nacionais está assegurado pelo “Estatuto do Torcedor”. São diversas categorias e especificidades para que os locais, a torcida e os atletas estejam protegidos do começo ao fim do evento.

Se você é administrador ou trabalha em empresas que são ou já foram responsáveis por estádios, sabe distinguir as coberturas e conhece a importância de cada uma delas.

Para as obras e infraestrutura dos estádios

Antes mesmo do começo de obras necessárias para a construção ou melhorias das arenas ou estádios, é indispensável a contratação de coberturas para o projeto em si e todos os estágios de sua execução, englobando até defeitos do projeto. Essa modalidade costuma ser chamada de “RC Obras” ou seguro de Responsabilidade Civil para Obras. Coberturas específicas para os trabalhadores normalmente são adquiridas em grandes obras, como o “Seguro de morte e invalidez”, obrigatório e que oferece cobertura para acidentes pessoais, e o “Seguro de Responsabilidade Civil do Empregador”.  Mercadologicamente, a aquisição desse “pacote de coberturas” é muito comum.

Há também a opção do “Seguro Garantia” para as empresas construtoras e executoras. Isso significa mais proteção para os contratantes de serviços: Caso os responsáveis pelas obras não recebam os materiais e serviços prestados, conforme acordado, como cadeiras e instalações desses assentos, o contratante é reembolsado de acordo com o que contratou. Essa garantia pode ser estendida a diversos outros produtos e serviços, e de modo personalizado cliente a cliente, estádio a estádio.
Outra proteção importante está relacionada aos “Seguros para Equipamentos”, que garante a proteção em caso de acidentes e/ou eventuais problemas que possam acontecer durante as construções.

Para a torcida

Para os espectadores, as alternativas de proteção também são diversas em todo o mundo. Antes de tudo, vale a pena ficar por dentro das cláusulas do Estatuto do Torcedor, que pode ser consultado integralmente neste link. Criado em maio de 2003, os artigos do Estatuto garantem a defesa do torcedor, relacionada à segurança do participante (proteção e defesa), e apresenta outras providências necessárias.

Algumas responsabilidades que o Estatuto impõe aos organizadores dos eventos são: segurança antes, durante e depois das partidas, acessibilidade, higiene, serviços de alimentação internos ou contratados, atendimento médico, entre outras.
Com relação à área de seguros especificamente, encontramos o “RC Eventos”, que cobre tanto eventos esportivos quanto eventos diversos dentro de estádios. Esse seguro pode ser contratado pelos administradores dos estádios para espetáculos isolados ou que englobem jogos de um campeonato inteiro, por exemplo.

Para os torcedores, no entanto, o evento começa com a compra dos ingressos. Quanto a isso, as bilheterias dos estádios, empresas habilitadas a comercializar ingressos e entidades relacionadas a planos de sócio torcedor não são contempladas nas coberturas do RC Eventos, nem pelo Estatuto do Torcedor. Mas há alternativas de seguros no mercado que cobrem eventuais falhas durante ou após a compra/venda dos bilhetes e garantem uma indenização ao torcedor, caso sofram prejuízos durante aquisição dos ingressos. Essas coberturas são amplas e podem atuar com bastante especificidade, de acordo com as demandas de cada solicitante.

Em casos de problemas com ingressos por condições climáticas, como aconteceu durante a Copa de 2014, devido à chuvas em Pernambuco, há seguros que cobrem o cancelamento ou adiamento de evento. Esse tipo de incidente é comum em corridas de Fórmula 1. Os seguros podem cobrir não apenas os valores dos ingressos a serem devolvidos, mas também as despesas que promotor do evento gastará com as transferências de jogos.

Seguradoras e corretoras podem realizar todos os procedimentos intermediários para que as empresas responsáveis por cada evento ou jogo estejam precavidas e protejam também os torcedores ou visitantes em cada espetáculo esportivo.

Para times e atletas

As variedades de seguros não acabam por aqui. Existem ainda os que asseguram os times e os profissionais dos esportes. Muito comum no exterior, sobretudo na Europa, essas modalidades garantem indenizações e asseguram riscos e preocupações de equipes e atletas individualmente.

Os seguros para times, costumam ser mais frequentemente contratados em casos de empréstimos de jogadores de uma equipe para outra por tempo determinado. Essa cobertura para a proteção do atleta engloba, por exemplo, possíveis prejuízos contra sequelas que o jogador emprestado possa ter devido a complicações de saúde na equipe provisória.
Já uma cobertura específica para um jogador em questão também é comum em alguns clubes. Cristiano Ronaldo, da seleção de Portugal e jogador do Real Madrid, possui um seguro para a sua perna, decorrente de várias lesões sofridas. Se, em 1985, o ex-jogador Zico possuísse uma cobertura também para a sua perna, indenizações teriam sido pagas ao craque.

Legado pós-torneio

Muitos estádios, novos ou reformados, foram entregues, mesmo com atrasos e gastos acima dos valores pretendidos inicialmente. Além dos estádios prontos e nos padrões FIFA que ficaram nas cidades-sede, o que a Copa deixou aos brasileiros? Dê sua opinião neste post.

Em 2014, mesmo com a Copa no país, as obras de engenharia não relacionadas diretamente com o Mundial tiveram menos destaque no primeiro semestre. Vamos acompanhar as movimentações pós-torneio.

E segue o jogo…

 


Alvaro Igrejas

  Álvaro Igrejas é formado em Direito pela Federal do Rio de Janeiro, possui Pós-Graduação em Marketing pela ESMP-SP e em Responsabilidade Civil pela PUC – SP. Trabalha na área de seguros a mais de 25 anos, tendo começado a sua carreira no IRB Brasi RE onde foi Gerente da Divisão de Responsabilidade Civil Geral, posteriormente na Sul América como Superintendente Técnico e na Swiss Re Brasil atuando como Underwriter Sênior.Trabalhou também na Itaú Seguros e está na Willis desde 2006, como Diretor das áreas de seguros financeiros, garantia, crédito e responsabilidade civil.

 

Categories: América Latina, Construção, Esporte e Entretenimento, Português | Tags: , , , , ,

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