Mente ao volante: temos o foco necessário para salvar vidas?

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Ouvi uma história sobre um homem que dirigia seu carro com os joelhos para que pudesse digitar um texto usando as mãos, enquanto participava de uma teleconferência. Acrescento o seguinte: sua esposa e os dois filhos estavam no carro no momento de sua performance ‘multitarefa’ (de arrepiar os cabelos). Este é um exemplo de uma pessoa que demonstra uma grave falta de conhecimento.

Vivemos em uma época maravilhosa na história. O conhecimento sobre praticamente qualquer assunto está na palma de nossas mãos: basta pesquisar no Google. No entanto, mesmo hoje, enquanto vivemos a era do conhecimento disponível na ponta dos dedos, muitos assuntos importantes escapam de nosso radar. Neste artigo, vou examinar um tema que afeta nossas vidas diariamente: “multitarefa”. 

A verdade sobre a multitarefa

O termo “multitarefa” teve origem no setor de engenharia da computação e refere-se à capacidade de um microprocessador poder processar, aparentemente, várias tarefas ao mesmo tempo. A primeira vez que o termo “multitarefa” foi usado em uma publicação foi para descrever as capacidades do IBM System/360, publicado em um documento da IBM em 1965. Isto significa que, antes disso, nenhuma palavra descrevia a tentativa humana de executar várias tarefas ao mesmo tempo – como lidávamos sem isso até então? Isso levanta outra questão.

O cérebro humano pode processar várias tarefas ao mesmo tempo, ou será que ele alterna entre uma e outra? Um estudo da Universidade Vanderbilt descobriu que “a realização de várias tarefas ao mesmo tempo é, em grande parte, limitada pela velocidade com que o nosso córtex pré-frontal, parte do cérebro, processa a informação. Paul E. Dux, co-autor do estudo, afirma que “este processamento de informação pode se tornar mais rápido por meio de treinamento adequado”. Entretanto, o estudo também sugere que “o cérebro é incapaz de executar muitas tarefas ao mesmo tempo, mesmo após treinamento extensivo…, ele não pode ‘verdadeiramente’ ser multitarefa.”

Conclusão: o que temos, de fato, é uma mente unidirecional com uma estação de comutação que direciona nosso foco de pensamento que escolhemos para divagar. Isto significa que mudamos o nosso foco quando mudamos nossa tarefa – é apenas o que somos.

Aqui está a falta de conhecimento que nos leva a ter um comportamento de usar os “joelhos para dirigir”. Algumas pessoas realmente acreditam que podem realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo e produzir os mesmos resultados que teriam se estivessem concentradas em apenas uma tarefa. Eis, contudo, a realidade: quando os seres humanos normais tentam executar múltiplas tarefas, o resultado das performances diminui. Como instrutor de vôo, acompanhei pessoalmente a diminuição de retorno no desempenho de tarefas múltiplas.

Multitarefa na cabine de pilotagem

É bastante nítido observar estudantes de pilotagem suarem copiosamente nas aulas de controle de voo de uma aeronave: quando eles se concentram em uma tarefa, o nível de desempenho se deteriora em outras tarefas-chave.

Um bom exemplo de deterioração no desempenho ocorre de forma consistente quando uma tarefa de comunicação é somada à responsabilidade de controlar a aeronave. Eles precisam lidar adequadamente com cada tarefa em separado, mas quando as duas estão combinadas, o resultado é totalmente diferente. Ocasionalmente, a perda real do controle de um avião em perfeitas condições torna-se uma possibilidade, como resultado da tentativa de se concentrar em diretivas e em dar respostas para o controlador de tráfego aéreo. Foco é um recurso limitado que pode se esgotar rapidamente em um ambiente sobrecarregado de trabalho.

Um conceito muito importante que os pilotos “experientes” acabam assimilando: se concentrar nas tarefas críticas até os calços irem de encontro aos pneus.

Multitarefa atrás do volante

Este conceito é igualmente importante para nós, que operamos veículos a motor, por conta das vidas perdidas (mais de 30 mil por ano nos EUA) e os milhões de pessoas feridas em acidentes de carro.

De acordo com o Departamento de Transportes dos EUA, cerca de 421 mil americanos ficaram feridos em batidas causadas por motoristas distraídos no ano passado. Por que tantas pessoas tratam uma tarefa tão perigosa de forma tão relaxada? Por que não dedicamos o mesmo nível de atenção que os pilotos demonstram constantemente para desempenhar uma tarefa crítica? Como as estatísticas acima evidenciam, o nível de risco de ferimentos ou morte não parece ter importância durante o processo de tomada de decisão.

Acho interessante que muitos de nós somos extremamente receosos e precavidos ao proferir um discurso em público, no entanto, quando executamos tarefas que desafiam a morte, não nos concentramos – realmente. Não me recordo de nenhuma estatística recente sobre o número de pessoas mortas ou gravemente feridas durante um discurso, mas meu palpite é que esse índice é realmente baixo.

No entanto, enquanto dirigimos um automóvel (uma das tarefas mais perigosas que a maioria das pessoas subestima) até o local onde vamos discursar, desviamos nosso foco, dando a mínima importância para as tarefas críticas relacionadas ao ato de dirigir de forma segura. Aceleramos a quilômetros por hora e nos testamos enquanto dirigimos por um bairro onde crianças brincam. Na maioria das vezes, o destino nos trata com gentileza e conseguimos chegar em segurança.

Porém, isso pode mudar em um piscar de olhos. A pergunta que todos temos de responder é se iremos nos concentrar de maneira crítica quando um evento que pode mudar nossas vidas acontecer? Quando o carro cruza em nossa pista de repente, quando uma criança de 4 anos de idade se lança para a rua bem na nossa frente. Eis a pergunta: será que podemos achar que o homem com os joelhos ao volante possui o nível de foco necessário para antecipar esse tipo de evento e salvar a vida de sua família ou da criança de 4 anos de idade? A resposta é “Não”.

É trágico o fato de que mais de 30 mil pessoas vivas no fim de 2014 podem morrer até o final de 2015 por conta de um acidente de automóvel. Adicione a isso milhões de infelizes lesões, assim temos nossas razões para nos concentrarmos no que é fundamental. Elas exigem que anulemos quaisquer distrações até o momento de nosso carro estar estacionado. Não podemos permitir que o acaso ou o destino determinem como serão os principais acontecimentos em nossas vidas. Como motoristas-comandantes, temos de assumir o controle e nos concentrarmos no que é importante.

A nossa capacidade de controlar e direcionar nosso foco para uma tarefa específica é uma poderosa qualidade. É a nossa bela mente trabalhando em uma direção. E essa é uma qualidade maravilhosa que todos nós temos.

About Jeff Seibert

Jeffrey Seibert has managed a number of catastrophic events during his 37 years in the claim profession. As Nationa…
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