Dengue, o mosquito que assombra o Brasil

São 340 municípios em situação de risco de endemia e outros 877 estão em alerta

O mosquito pode até ser pequeno, mas seus efeitos são expressivos na sociedade e nas estatísticas. A Dengue tem assolado o Brasil há anos nos períodos de final de verão, entre fevereiro e março, e não está sendo diferente em 2015, época em que temos chuvas e temperaturas elevadas, ambiente propício para sua proliferação.

Um boato de que a dengue estaria mais potente  – mutante – foi disseminado em redes sociais recentemente, mas logo desmentido. O rumor alarmante era de que o mosquito se reproduzia na sujeira. No entanto, o médico infectologista e Secretário Estadual de Saúde de São Paulo, David Uip, negou as informações e alegou que não há, ao menos, embasamento científico.

Caso você esteja se questionando sobre o motivo, por tanto, de tantas notícias e episódios relacionados a dengue as respostas são muitas. O problema da continuidade da doença e aumento da prevalência dos casos de dengue em nossa sociedade é multifatorial e nós reunimos as principais condições para o bichinho viver. Veja:

  • Temos a presença do vetor (mosquito)
  • Aumento da temperatura (necessária para maior proliferação)
  • Chuvas (acúmulo de água em lajes, alagamentos, etc)
  • Permanência de suscetíveis (devido a novos nascimentos e pessoas que não contraíram anteriormente a doença em todos os sorotipos do vírus)

A famigerada Crise hídrica pode colaborar para essa junção de fatores, devido ao suposto armazenamento de água, mas não é a causa principal ou o foco da questão. Falar que há uma explosão de dengue por causa da crise hídrica é uma visão reducionista, as outras causas (já descritas) que podem levar o aumento da dengue permanecem em nosso meio.

A dengue tem características de epidemia e se instalou no Brasil para ficar. Além dos cuidados de cada cidadão dentro de casa é importante que haja estratégias relacionadas à pesquisa: investimento em vacina e erradicação do mosquito. Vamos aos dados!

Brasil tem 340 municípios em situação de risco para dengue

O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (12) que há 340 municípios brasileiros em situação de risco de endemia de dengue e outros 877 estão em situação de alerta para novasCartaz_campanha-contra-a-dengue infecções.

Até dia 7 de março foram registrados 224,1 mil casos da doença no País, aumento de 162% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 85.401 ocorrências.

Ainda de acordo com o ministério, houve queda de 31,5% no número de mortes entre 2014 e 2015. Entre 1 de janeiro e 7 de março do ano passado morreram 76 pessoas, enquanto no mesmo período deste ano foram 52 óbitos.

Os dados são do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) e foram divulgadas em coletiva em Brasília. A pesquisa foi feita com base em 1.844 cidades que se voluntariaram a participar da coleta.

 Tipos de dengue

O vírus da dengue é transmitido pela picada da fêmea do Aedes aegypti, um mosquito diurno que se multiplica em depósitos de água parada e pode se manifestar das seguintes formas:

  • Indeterminada (inaparente) – se manifesta com uma gripe.
  • Clássica (com manifestações clássicas da doença) – febre alta (acima de 38ºC), de início repentino, associada à dor de cabeça, prostração, dores musculares, nas juntas, atrás dos olhos.

Algumas pessoas podem ter evolução do quadro e apresentar:

  • Dengue hemorrágica – as manifestações iniciais da dengue hemorrágica são as mesmas da forma clássica. Porém, depois do terceiro dia, quando a febre começa a ceder, aparecem sinais de hemorragia, como sangramento nasal, gengival, vaginal, rompimento dos vasos superficiais da pele, além de outros.
  • Síndrome do choque. Esses casos são raros, mas são caracterizados por hemorragia interna, podendo levar a morte. O potencial de risco é evidenciado por uma das seguintes complicações: alterações neurológicas (delírio, sonolência, depressão, coma, irritabilidade extrema, psicose, demência, amnésia), sintomas cardiorrespiratórios, insuficiência hepática, hemorragia digestiva, derrame pleural. As manifestações neurológicas, geralmente, surgem no final do período febril ou na convalescença.

Temos quatro tipos de vírus circulante – quem pega tipo 1, fica imune ao tipo um (apenas ao 1) e assim por diante. A dengue não é transmissível de pessoa para pessoa, ela precisa de um vetor – Aedes aegypti.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de certeza da dengue é laboratorial, mas devido a demora para confirmação, o diagnóstico utilizado é o clínico (manifestação dos sintomas). Não existe um tratamento específico contra o vírus da dengue.

É imprescindível que pacientes com dengue ou com suspeita da doença busquem assistência médica.

A automedicação não deve ocorrer em hipótese alguma, já que não podem ser utilizados antitérmicos que contenham ácido acetilsalecílico (AAS, Aspirina, Melhoral, etc.), nem anti-inflamatórios (Voltaren, diclofenaco de sódio, Scaflan), que interferem no processo de coagulação do sangue.

Quem paga a conta?

Por todos os motivos já expostos, a atuação da sociedade e do poder público é imprescindível. Além de afetar vidas, famílias e a saúde do cidadão, a dengue atinge o sistema de saúde público e privado, com a superlotação dos mesmos e sobrecarga da equipe médica.

Já o ambiente corporativo é impactado diretamente pelo absenteísmo e com a queda da produtividade de funcionários, além de ter custos indiretos da saúde. Por isso, a atuação de Recursos Humanos e Gestão Médica na divulgação de campanhas de combate a dengue e alerta sobre os cuidados que devem ser tomados são fundamentais para minimizar o problema.

*Com informações do Portal da Saúde e site Drauzio Varella


Ado Bechelli

Ado Bechelli

Dr. Ado de Castro Bechelli, médico na Willis Brasil, é especialista em Medicina do trabalho, Administração hospitalar e Serviços de Saúde e Auditoria Médica. Com residência em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (USP), ele atua com epidemiologia médica, medicina do trabalho e assistência médica.

Categories: Benefícios > Capital Humano & Benefícios, Português, Recursos Humanos, Saúde & Vida | Tags: , , , , , , , , ,

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