Por trás do quebra-cabeça do Autismo

O autismo, classificado como Transtorno do Espectro Autista, é uma desordem complexa no desenvolvimento do cérebro, caracterizada por comportamentos repetitivos e dificuldade na comunicação social, em graus variáveis. As alterações podem ser óbvias e evidentes desde o nascimento, ou serem mais sutis, tornando-se visíveis ou perceptíveis ao longo do desenvolvimento da criança, por isso, nem sempre esses sintomas são notados pelos pais, o que prejudica o tratamento e o desenvolvimento da criança.

Números recentes

De acordo com um estudo divulgado pelo CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, atualmente 1 a cada 100 crianças nasce com o TEA. No Brasil, estima-se que existam 2 milhões de autistas, por isso a informação e a disseminação de conhecimento é a melhor maneira de combater o preconceito e a falta de tratamento adequado.

Um breve raio-x deste quebra-cabeça chamado autismo

Os pais devem prestar bastante atenção no comportamento do(s) seu(s) filho(s) e, caso percebam alguma das características abaixo, buscar ajuda de um profissional, que pode ser o pediatra, o neuropediatra ou psiquiatra infantil para que ele proporcione ou recomende o melhor acompanhamento especilizado ao longo da vida.

  • Comportamentos repetitivos;
  • Dificuldade na comunicação social, aprendizagem e coordenação motora;
  • Déficit de atenção e hiperatividade;
  • Ansiedade e depressão são comuns na adolescência;
  • Sensibilidade sensorial: ruídos, luzes, agrupamento de pessoas e cores fortes;
  • Agitação nas mãos e no corpo.

O autismo como peça-chave do quebra cabeça da nossa sociedade

O diagnóstico precoce e o tratamento com uma equipe multidisciplinar, desde os primeiros anos de vida pode resultar no destaque de habilidades visuais, música, arte e matemática:

Facilidade em aprender visualmente;

  • São muito atentas aos detalhes e à exatidão;
  • Possuem capacidade de memória muito acima da média;
  • Retenção no aprendizado de informações, rotinas ou processos;
  • A paixão pela rotina pode ser fator favorável na execução de um trabalho;
  • Indivíduos com autismo são funcionários leais e de confiança.

Você sabia?

Em algumas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, já é lei a obrigatoriedade do novo ícone de atendimento preferencial às pessoas com TEA (laço colorido feito de quebra-cabeça), nas placas de estabelecimentos comerciais. A lei, aprovada em São Paulo em 2017, prevê multa de R$ 5 mil até suspensão do alvará de funcionamento para quem desobedecer ao atendimento prioritário.

As empresas e as pessoas com deficiência, como autismo:

A Lei de Cotas reza que as empresas com 100 ou mais empregados deverão preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas PNE, nas seguintes proporções:
1) Até 200 empregados – 2%;

2) De 201 a 500 empregados – 3%;

3) De 501 a 1000 empregados – 4%; e

4) De 1001 em diante – 5%.

As pessoas com autismo se enquadram na categoria de deficiência mental, com manifestação antes dos dezoito anos, tal como o funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:

  • comunicação;
  • cuidado pessoal;
  • habilidades sociais;
  • utilização dos recursos da comunidade;
  • saúde e segurança;
  • habilidades acadêmicas;
  • lazer; e
  • trabalho.

Para facilitar a contratação de pessoas com deficiência, as empresas podem se utilizar de um bom recrutamento externo, baseado principalmente em:

  1. Arquivos de candidatos ou bancos de talentos que se apresentaram espontaneamente ou em outros recrutamentos;
  2. Apresentação de candidatos por parte dos funcionários da empresa;
  3. Cartazes ou anúncios na portaria da empresa ou em pontos vitais;
  4. Contatos com sindicatos e associação de classe;
  5. Contatos com universidades, escolas, agremiações, centro de integração empresa-escola, organizações não-governamentais e entidades que apóiam o deficiente, etc;
  6. Contatos com outras empresas que atuam no mesmo mercado em termos de cooperação mútua (recrutamento conjunto);
  7. Anúncios em jornais, em revistas e em agências de recrutamento;

Segundo a consultora de Diversidade e Inclusão Fernanda Lima: “é sempre importante lembrar que nenhuma empresa contrata deficiências e sim pessoas. Cada pessoa tem um perfil aderente à uma determinada função, e é esse alinhamento que promove o bom desempenho do profissional. A deficiência é apenas uma dentre as várias características que um indivíduo possui, sem dúvida precisa ser considerada mas sem desconsiderar as demais. Não existe um caminho pronto. É importante não generalizar as pessoas autistas. Existem muitas preparadas tecnicamente, com boa ou excelente formação acadêmica. O psicodiagnóstico é de extrema importância para o recrutador entender as perdas e possibilidades de cada um. A dica na hora da entrevista é direcionar as perguntas para as competências técnicas e atribuições da função pretendida e não em habilidades sociais, onde costuma-se localizar a maior parte das perdas.”

A informação é a melhor maneira de compreender melhor essa deficiência. A Willis Towers Watson reforça este tema junto as áreas de Recursos Humanos para a conscientização e disseminação de conhecimento junto aos seus colaboradores.

#Inclusão

Por Celso Garcia Carrete, Médico Consultor de Gestão de Saúde – Willis Towers Watson

Categories: Benefícios > Capital Humano & Benefícios, Employee benefits, Recursos Humanos | Tags: , , , ,

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